domingo, 22 de janeiro de 2017

Prelúdio - Ato 11 - Nascimento e Morte

A guerra santa se desenrolava, e Atena após sentir um forte cosmo emanado de uma região instável, em terras pouco conhecidas a norte do Trópico de Câncer. Ela reúne Anryu e Sig e seguem para lá.

Em uma ilha próxima a um apêndice do continente habitava um humilde povoado. Nesta vila um homem solitário outrora salvara a todos de um cruel destino frente ao exército de Poseidon.

Aaron era considerado por todos "um homem estranho", brincava com os trovões. Morador de um casebre no alto da montanha, era mestre no ofício de fabricar vidros. Utilizava-se do trovão nas areias das praias para fabricá-los, e do calor do vulcão para moldá-los.

Apesar de ser taxado como "excêntrico" era muito respeitado, e junto a Sana, sua sobrinha, assistente e jovem aprendiz era muito querido por todos. Sua presença era o motivo da visita de Atena àquelas terras. 

Como de costume, naquele momento de guerra santa, a deusa segue recrutando guerreiros poderosos para seu exército. A cosmo-energia de Aaron fazia dele mais uma importante aquisição a frente de batalha.

Atena visita Aaron em sua casa, e o convida a seguí-la para Atenas, mas o humilde homem lhe faz uma curiosa exigência.

— Atena! Sigo contigo, mas com apenas uma condição. Levarei Sana comigo. Sana sempre estará onde eu estiver. Ela é minha única família. Não deixarei minha menina para trás. Quando da morte de meu irmão no mar, e da morte de sua mãe ... Sana tornou-se minha filha. A filha que não pude ter. Prometi a meu jovem irmão que dela cuidaria. Nunca desampararei a minha família. Conclui Aaron. 

Atena, acolhedora com seu grande amor aos humanos e a família, sorri.

— Não se preocupe, Aaron. Tranquiliza-o, Atena. — São belas as suas palavras. Sempre haverá espaço para o amor, nas terras da deusa Atena. Cuidaremos dela. Somos todos uma só família.

Aaron olha para Sig e Anryu que sorriem após a última frase de Atena, e ele tem certeza de que será verdade.

— Obrigado, Atena. Diz Aaron com um sorriso. 

Sig após aquela doce demonstração de amor lembra-se de Ozir, sentindo um grande aperto em seu peito.

— Ozir ... Pensa Sig — O que será essa dor profunda em meu peito?  Será pela nossa briga antes da partida a essa missão? Sinto como se tivesse perdido minha grande chance, mas chance de que?  Que ausência é essa que arrebata meu coração?

No templo de Atena Ozir tem também uma estranha sensação, e pensa.

— Sig, meu irmão! Como me arrependo de ter ralhado contigo. É estranho, até parece o arrependimento da despedida.

Ozir olha para o céu e vê a constelação de Gêmeos e seu brilho exuberante.

— Não tenho nada do que me preocupar. Sig em breve retornará, e poderei pedir-te desculpas e abraçá-lo bem forte. Esse aperto em meu peito é apenas saudade! Atena o protegerá! ...

Na ilha, do topo da montanha partem Atena, Sig, Anryu, Aaron e Sana em cinco esferas de luz, quando sobrevoando a costa em direção ao Atlântico podia-se ver o surgimento repentino de grandes ondas nascidas do meio do mar.

As ondas seguiam em direção a praia, e um cosmo de presença impressionante compunha também a massa de águas. Aaron e Sana sentem algo familiar e se olham, mas não dão muita importância.

Sig, temeroso do destino daquele povoado, olha para Atena por segundos e desfaz a esfera de energia que levava seu corpo, caindo no mar entre a praia e o alto oceano.

Aaron e Anryu tentam fazer o mesmo mas Atena os impede, enquanto Sig em queda olha para o alto e sorri.

— Atena! Retruca Anryu. — É um cosmo muito poderoso! Sig enlouqueceu! Preciso ajudá-lo!

Atena olha para baixo, confiante na decisão de Sig.

— Não, Anryu! Rebate Atena — Lutamos de forma justa. É apenas um contra um. Sig sabe que esta luta é dele. E eu também sei disso.

Sig cria uma fina camada de cosmo sobre a água e nela pousa suavemente.

— Sig está bem. Continua Atena. — Continuemos nosso caminho. Em breve Sig nos encontrará.

Sentindo a plena confiança de Atena em Sig, resigna-se Anryu, sempre fiel a sua senhora.

— Sim, Atena. Conclui Anryu.

Atena olha Aaron e Sana com carinho.

— Acalme seu coração, Aaron. Ao novo guerreiro se dirige Atena. — Confie em Sig. Sua morada não será destruída.

Aaron absorve a confiança das palavras da deusa e faz sinal positivo.

— Eu confio, Atena. Afirma Aaron. — É que ... Deixa pra lá. Vamos.

Aaron olha para Sana e ganha dela um grande sorriso. A tranquilidade de Sana inunda seu coração e Aaron faz seus votos a Sig e seu confronto.

No oceano a onda continua crescente, e Sig levanta uma barreira de cosmo engolindo toda a água.

— Apareça! Grita Sig. — Mostre tua cara!

Um redemoinho de água surge e uma grande gargalhada ecoa.

— Impressionante! Surge uma voz de dentro do redemoinho. — Para onde mandou toda a minha água... guerreiro de Atena?

Sig indica com a cabeça, a frente.

— Olhe para trás. Responde Sig.

Uma tromba d'agua cai sobre o redemoinho e a aparência do inimigo se revela.

— Bela manobra! Ironiza o inimigo. Cai do céu, salva a todos pelo menos por um momento, e ainda desfaz minha entrada triunfal. Começou bem! É digno de que eu me apresente. Sou Ted de Dragão Marinho. O General Marina do Oceano Atlântico Norte. A elite do exército do Imperador dos Mares, meu Senhor Poseidon!

Sig se mantém sério e ironiza Ted.

— Bela condecoração. Ironiza Sig para o sorriso sarcástico de Ted.

— Não terás a menor chance, guerreiro de Atena. Reivindicarei essas terras a meu Senhor, e deverás chamá-lo assim também desse momento em diante. Confiante retruca o marina.

Ted ri ainda mais alto que da ultima vez, e Sig balança a cabeça em sinal de pouco caso.

— Acabou a apresentação? Indaga Sig. — Se já acabou o Show, vamos acabar logo com isso. Tenho que reencontrar meu irmão!

Ted fica sério.

— Imão? Indaga Ted. — Também tive um. Creio que o verei em breve. Mas ...

Ted balança a cabeça como e quisesse esquecer daquelas memórias, e foca seu olhar a frente, para Sig.

— Tens pressa de morrer? Assim não é divertido. Mas tem razão numa coisa, tenho que afundar logo esta ilha. Um esquentadinho dos relâmpagos destruiu meus soldados, mas já previa isso. Um fato esperado, de alguém conhecido. Sem falar que ainda tenho muitas ilhas para afundar. É chato esse monte de ilhas pequenas. Dá muito trabalho. Mas, vamos a você. Atenderei a teu pedido.

Sig fica em posição de batalha.

— Que seja, Retruca Sig.

Ted de Dragão Marinho abre os braços e ao abrir a palma das mãos diversos redemoinhos de águas do mar se formam. Todos se encaminham a torna-se apenas um.

No mesmo instante o brilho das estrelas do céu se intensifica, e Sig dá um salto de braços abertos concentrando todo o brilho das estrelas em seu cosmo. O aumento de seu cosmo impressiona Ted.

Ted reúne todos os redemoinhos e com um movimento de braço a frente encaminha uma grande única onda espiral em direção a Sig.

Sig une seus braços ainda dobrados na altura do peito, e comparada a uma grande explosão de galáxias ele desdobra seus braços unidos disparando uma poderosa carga de energia.

Duas grandes ondas se chocam permanecendo um grande equilíbrio de forças a meia distância de ambos. Um grande vale se forma em linha, no local onde as forças se confrontam.

As correntes marítimas, sempre instáveis naquela região, não suportam a pressão causada pelo embate de forças, e após quebrar o equilíbrio estabelecido gera duas grandes ondas nas direções de Sig e Ted.

O desequilíbrio causado conduz os ataques, um pouco enfraquecidos, junto a onda a seus respectivos alvos pegando ambos em cheio.

Sig é arremessado a quilômetros continente adentro, encontrando nesse caminho árvores da vegetação que margeava a praia. Em estado semi-consciente Sig lança sua mente no vasto e calmo espaço entre as estrelas. Com o cosmo fortalecido, como reação a tal ato, seu corpo resiste aos impactos quando enfim cai desacordado.

Ted é lançado mar adentro, com as peças de sua Escama sendo espalhadas por diversas direções, visto a força da explosão lançada por Sig. Uma corrente marítima o alcança e seu corpo desacordado é lançado a leste, mar adentro.

Sig é encontrado por uma senhora que vivia naquela praia. Apesar de ser um estranho e estar desacordado, num transe por ele mesmo induzido, ele é cuidado pelo casal de idosos que ali residia.

TEMPLO DE ATENA — GRÉCIA

Atena, Ozir e Anryu olham para o céu e percebem a redução no brilho da Constelação de Gêmeos.

Ozir percebera pelo olhar de Atena que Sig não retornaria. Uma sensação de dor e desespero lhe arrebata e a pessoa centrada que era Ozir sai de controle.

— O brilho ... se acabou. Meu irmão ... morreu?! Não pode ser! Temos que voltar lá! Temos que encontrar meu irmão!

Atena sente a dor de Ozir, como se fosse sua.

— Acalme-se Ozir. Tranquila diz Atena. — Não adiantaria retornar. Sig não mais está entre nós.

Ozir não se conforma com a realidade a ele colocada.

— Não pode ser! Angustiado repete Ozir. — Ele se vai, e nem posso me despedir ... Não!

Atena desolada com a dor tamanha de Ozir tenta tranquiliza-lo, sem fugir da realidade naquele momento posta.

— Não é mais possível sentir seu cosmo. Diz Atena. — Como também sumiu o cosmo do inimigo, foi uma luta justa. E ao que parece teu irmão a venceu.

Ozir olha a Anryu com a esperança estampada nos olhos.

— Mas ... Tenta ponderar Ozir. — Anryu, procure sua alma no mundo dos mortos.

Anryu olha para Atena, na expectativa de uma resposta positiva.

— Posso fazer? Consulta Anryu.

Vendo a esperança nos olhos de todos, apesar de já ter noção da resposta, sinaliza que sim Atena.

Anryu sobe ao Seikishiki e procura Sig entre as fileiras de almas a caminho do vale da morte no monte Yomotsu Hirasaka. Ele retorna, e por sua expressão Ozir fica ainda mais triste.

— Não está lá! Afirma Anryu

Ozir fica cada vez mais conformado.

— Mas onde estará? Ozir estava agora confuso.

Ozir cai no chão de joelhos, lembra da discussão que tivera tempos atrás e do aperto no coração, que chegara a pensar ser a dor da despedida.

— Aquela sensação ... Mergulha Ozir em seus pensamentos. — Sig se despedia de mim. Meu irmão se foi, e sequer pude ter seu perdão. Nem mesmo pude dizer Adeus.

Ozir, conformado com sua perda, chora e tem em Atena uma mão amiga. A deusa toca seu ombro com sua cosmo-energia cheia de amor, e lhe dá a mão para que se levante.

— Não se desespere, Ozir. Precisamos de tua força. As forças de Poseidon ainda ameaçam nossa Terra. Sig se foi como um guerreiro, como um guerreiro da Constelação de Gêmeos. Mas não se esqueça, Ozir, que Gêmeos ainda tem você, e conta com tua força. Honres tua constelação guardiã, como Sig a honrou.

O Guerreiro ao ouvir tais palavras tenta retornar a sua postura habitual.

— Sim. Desculpe-me Atena. Ozir retoma seu centro.

Atena sorri, pois conhecia a força de seu fiel guerreiro.

— Sig sabia como você que algo aconteceria. Pondera Atena. — Sig me pediu autorização para lutar, e para morrer se fosse preciso. Por sua honra, Ozir. Para que na sua ausência você pudesse ser o mais forte de meus guerreiros. Para que você se tornasse o meu Guerreiro do Signo de Gêmeos, como ele também o era. Somos uma só família, e estamos todos com você.

Anryu estica a mão a Ozir, em sinal de solidariedade.

— Estamos juntos. Diz Anryu

Anryu dá um forte abraço em Ozir, e Aaron faz o mesmo. Sana abre um grande sorriso para Ozir, e naquele momento sua alma se enche de esperança.

— Conte conosco ... Sempre! Diz Aaron abraçado com Sana. Como Guerreiros de Atena, nunca estaremos sós.

Atena vê aquele momento de amizade, sentindo em seu cosmo que algo especial acontecera, e que coisas ainda maiores estavam por vir.

A deusa se firma na esperança de que ainda compreenderia todo aquele estranho ocorrido, na certeza de que o grande propósito disso ainda seria revelado.


OZIR E SIG SE SEPARAM PELA HONRA DA BATALHA EM DEFESA DA TERRA REGIDA POR ATENA. A GUERRA SANTA FAZ MAIS UMA BAIXA NO EXÉRCITO DE ATENA, MAS SERIA ISSO DEFINITIVO?

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